Carpe Diem
Março 6, 2007
“Agora saca esse pessoal aí na frente. Estão preocupados, contando os quilômetros, pensando em onde irão dormir essa noite, quanto dinheiro vão gastar em gasolina, de que maneira chegarão onde pretendem – e quando terminarem de pensar já terão chegado onde queriam, percebe?… suas almas realmente não terão paz a não ser que se agarrem a uma preocupação explicita e comprovada, e tendo encontrado uma, assumem expressões faciais adequadas, graves e circunspectas… e eles sabem bem disso, e isso os preocupa também num círculo vicioso que não tem fim.”
(Reflexão de Dean Moriarty, personagem do livro On The Road de Jack Kerouac)
Estava comentando nostalgicamente esses dias sobre as crianças e como elas usufruem da vida com uma pureza de espírito incrível. Depois que crescemos isso torna-se cada vez mais difícil, pois quando não estamos preocupados com nada prático e objetivo, nos inquietamos em aproveitar esse tempo que sobra da melhor maneira. Vejo Dean como uma criança, a personificação da expressão Carpe diem.
Truman Capote chamou erroneamente a Obra de Kerouac de datilografia.On the road é escrito de forma simples e talvez as gírias, o coloquialismo e as aliterações contribuíram para a magia contida nas páginas.
E se alguém duvida do poder contido nessas entrelinhas: Bob Dylan fugiu de casa depois de ler On the road; Jim Morrison fundou The Doors; em plenos anos 90, o livro levou Beck a tornar-se cantor juntando poesia beat e rap; inclusive a explosão hippie dos anos 60 pode ter sido uma consequência do livro.
Está com estréia prevista para 2009 um longa com a versão do livro para o cinema. Dirigido por Walter Salles, e contando com o roteirista José Rivera (“Diários de Motocicleta”) o filme terá como produtor executivo Francis Ford Coppola diretor de clássicos do cinema como O Poderoso Chefão. Agora é só aguardar.
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levangelista | Março 16, 2007 at 2:44 am